
Não se tratava de uma relação a mais. Não. Nós nunca nos vimos, mas nos conhecíamos, ou melhor, nos sentíamos. Sentir é a melhor forma de conhecer.
Quando começou ou quando terminará é um mero detalhe. O que importa mesmo é a viagem. As paisagens que vamos pintando pelas avenidas do imprevisível.Do indefinível. Indefinir nos dava total liberdade de ser. E éramos. Éramos o que queríamos ser.
Ele é a rua que me leva de volta a mim, aos meus mais secretos desejos.
É o meu país das maravilhas , e eu, sua Alice, que enxerga tudo grande, imenso! Aquela que acessa os portais para as terras do prazer!
Ele é o meu cúmplice. Nosso delito é apenas ser feliz, essa insustentável leveza. Desde quando nossas línguas se reconheceram, que ele mora em minhas retinas. Sim, nós entramos no outro através das palavras sussurradas nos olhos..
A melhor parte do meu dia é quando volto para casa. Durante o caminho, protejo meus olhos para que nenhum vento o arranque de mim. Fecho os olhos, para guardá-lo dentro, secreto e só meu.
Chegando em casa, escolho a música que nos embalará nessa noite sempre nova, porque sempre ele vem diferente.Tem uma música que já se tornou nossa.Eu sei que ela o trará até mim. É quase uma invocação. E, assim, começa o ritual de passagem a um outro plano.Vou largando a roupa pelo caminho, peça por peça. Nua, sob o chuveiro, a água e a música preparam o corpo e a alma para ele.Pêssego na pele, hidratando as curvas , para que ele deslize melhor e se embriague da fruta que mais gosta, escorrendo entre os meus pelos. É um ímã, uma armadilha.
O pensamento abre a fechadura da pele, como quem sabe exatamente o ponto de desequilíbrio.
E ele vem, quando me deito no edredon azul, nosso mar, e Tálassa e Urano celebram nossa união no horizonte inventado dentro de nós. É mar e céu fundidos no fundo de nossas águas. E então começa a aventura pelo reino dos sentidos. Sua língua contorna lentamente meus lábios, lubrifica as idéias....e eu vou abrindo minha boca devagar e sugando sua língua, roçando-a como uma serpente. E então são duas línguas entrelaçadas provocando ondas turbulentas entre as pernas, correntezas atravessando toda a delicadeza das sensações...até nos tornarmos selvagens,
docemente selvagens...
Mordo em sua boca a maçã...e descubro um Éden. Em nosso reino não há pecado, é proibido proibir. Tropicálias madrugadas!!!
Com ele toda noite é dionisíaca, com Baco a nos servir cálices de vida tinta!!!
Embriagamo-nos, enquanto a vida é extinta lá fora...
(Raiblue)
Àquele que torna meus sonhos mais tintos...
1 comment:
Magnífica prosa poética, Blue... Sensações que afloram e embriagam a alma... palavras que pintam saborosas imagens tintas de tirar o fôlego! E, ah, as Tropicálias noites diluídas nesse cálice do néctar do amor... Cores caleidoscópicas invadem os pensamentos encantados que desembocam nas retinas a transcender... Aplausos a ti, minha cara... sempre! Aplausos e beijos sem fim...
Post a Comment