
São 18 horas de uma terça-feira comum. Chego do trabalho e, depois de alguns dias asfixiada por aplicação de provas e correções, ao abrir a porta de casa, vou jogando, sobre a mesa, minha bolsa, pastas, livros, cadernos. Vou deixando, pelo caminho até o meu quarto, meu All Star azul, que me dá sensação de estar sempre pisando nas nuvens, já que é da cor do céu e traz estrelas no nome...
Tiro a camiseta preta , que contém uma frase do meu quase favorito poeta, dizendo que “Tudo vale a pena,se a alma não é pequena...”, e, à medida que vou me desfazendo do peso da matéria sobre o meu corpo, vou sentindo mesmo minha alma alargando e a sensação de que meu poeta pode estar certo.
O cotidiano é, muitas vezes, cruel demais! Ditador, vai conduzindo autoritariamente
a vida.Quando percebemos, o tempo passou, perdemos muitos trens ( no sentido denotativo e conotativo da palavra) e grandes viagens, porque não soubemos navegar no impreciso, porque não sopramos a vela nós mesmos,deixamos a responsabilidade toda com os ventos.E ‘Ele’ já havia dito:-Faça sua parte que eu te ajudarei-Portando, nem todos os ventos são confiáveis.
Ventos são traiçoeiros,quando não sabemos, de fato, a direção que queremos seguir.
Tirar instantes como este, para nos desnudar de tudo, para entrar em contato íntimo conosco, é fundamental para perceber o que circula em nossas veias, além da pressão das preocupações diárias. Liguei o som, escolhi, de olhos fechados, o CD que eu colocaria para me acompanhar durante o banho. Apaguei a luz, apertei o play, e fui para o chuveiro. Enquanto a água escorria sobre minha pele, sobre o ruivo dos meus cabelos, rubro dos seus fios parecia se dissolver ...o turqueza da tarde dava lugar ao escarlate da noite
parecia falar em mim, dizendo:
“Tarde turquesa, quarenta graus
Talvez porque você não esteja, tudo lateja
Tarde sem nuvens, cinqüenta graus
Talvez por sua ausência, tudo derreta...
Noite sem ninguém, nada se mexe
Meu sonho, nosso amor é sério
E você em outro hemisfério
Enquanto tudo derrete, enquanto tudo derrete,
Enquanto tudo parece... derreter”
E enquanto a canção ecoava lá dentro, coloquei o chuveiro na temperatura máxima
para elevar ainda mais a minha...queria sentir a convulsão até a última gota...queria o calor derretendo a ausência, trazendo para perto o longe ...
Talvez não quisesse enxergar que o longe é que estava cada vez mais perto...
Cada vez mais próxima a distância e sua geleiras...
A noite chegou, e foi inevitável o frio...
(Raiblue)
Quando uma saudade bate à porta...
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